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29/04/2011

Escassez e perdas de bola


Apesar do resultado escasso, é melhor estarmos em vantagem do que o contrário. Dominámos o jogo quase todo, merecíamos outro resultado e fizemos tudo para o obter, mas estamos claramente em maré de azar. O tal jogar "sobre brasas". Mesmo jogando a bom nível e sendo superiores ao adversário, nota-se que tudo nos custa a sair: Os passes, as recepções de bola, as tabelinhas e os remates que normalmente saiam com precisão, agora teimam em não sair. Até os golos praticamente feitos que os nossos jogadores metiam quase de olhos fechados, parece que agora são a coisa mais complicada do mundo para entrar. A equipa parece que vai acusando não só o cansaço, mas também a pressão que advém dos fortíssimos murros no estômago que levou neste final de época. Não é qualquer um que se levanta de tamanhas cacetadas. Embora perceba o porquê, continuo a achar que nos falta confiança, tranquilidade e alegria em demasia nesta fase. A vitória é justa, o resultado nem por isso. Uma vantagem de dois ou três golos para o Benfica faria mais justiça ao que se passou no relvado.

Começo a ficar sem palavras para escrever sobre as perdas de bola da nossa equipa em ataque continuado. Faço esta espécie de comparação: Se um avançado tiver 1,95 de altura, devemos meter o nosso jogador mais baixo a marcá-lo? Então, se está mais do que visto que a transição defensiva a quando dos ataques rápidos contrários tem sido um dos nossos maiores problemas - Javi é lento e é o único médio recuperador -, devemos continuar a perder um número assombroso de bolas em ataque continuado? Andamos constantemente a dar-nos à morte dos ataques rápidos. Em algumas das nossas perdas de bola chega a ser ridículo, muitas vezes não temos um único jogador no centro para travar os contra-ataques. Ainda hoje houve alturas que os homens do Braga se apanhavam com 40 metros em que a única coisa que tinham do Benfica pela frente era a relva que por nós é tratada. Isto não pode, de maneira nenhuma, continuar a acontecer. Espanta-me até que um treinador campeão como Jesus ainda não tenha arranjado antídoto para tal falha.

Os Mais: Jardel, apesar de um ou outro calafrio, esteve bem e parece estar a melhorar. Cardozo, entre dificuldades e incapacidades, lutou, marcou e esteve azarado. Luisão e Maxi seguros.
Os Menos: Pablo "El Mago" Aimar: Esta é a nota menos boa que mais me custa a dar, pois Aimar jogou bem e é uma peça fundamental na manobra atacante da equipa, mas quando olhamos para o número de bolas por ele perdidas que resultaram em perigosos ataques rápidos para nós, dá que pensar. Gosto mais do Aimar que perde poucas bolas e doseia melhor o risco no passe. Javi Garcia sozinho nos contra-ataques adversários tem grandes dificuldades, um pouco à imagem de Cardozo sozinho no ataque - A culpa não é dele.

De Futuro: O básico: Recuperar fisicamente. Cuidado com a abordagem ao jogo da segunda mão, Domingos vai querer ganhar, mas sabe que também não pode sofrer um golo. Atenção aos ataques rápidos pelas alas que o Braga vai fazer, normalmente acabam com cruzamentos tensos, a maior parte deles de baixa altura ou mesmo rentes à relva. Trabalhar a troca de bola no sentido de perdê-la menos, não se pode perder tantas em alta competição.

BENFICA SEMPRE!!