Foi triste e revelador ouvir Paulo Bento ontem, na conferência de imprensa após o final do jogo. Numa altura de felicidade, consagração e sentimento de dever cumprido, que podia e devia ser um momento de reconciliação, Paulo Bento mostrou uma vez mais ser um radical primitivo. Assim sendo, deixo as seguintes questões ao seleccionador:
Será que Paulo Bento acha que não existem desentendimentos esporádicos nas outras selecções?
Será que Paulo Bento pensa que esta forma radical de resolver as coisas é o único caminho para o sucesso?
Será que Paulo Bento acha que os grandes treinadores correm com os melhores jogadores ao primeiro sinal de descontentamento que estes dão?
Será que Paulo Bento manteria este critério apertado caso Ronaldo e Pepe fizessem o mesmo que Carvalho e Bosingwa eventualmente fizeram?
Será que Paulo Bento pensa que nós acreditamos que um homem com o carácter de Carvalho abandone a selecção num carro de um colega pelo simples facto de não ser titular?
Ou será que existiram e continuam a existir limitações do treinador para lidar com estas situações através o dialogo, convencendo os jogadores de que continuam a ser importantes para o grupo?
Será que Paulo Bento não quer aprender a mudar, ou a moldar-se, por forma a que os interesses da selecção se sobreponham ao seu ego primitivo?
